A falta de foco brasileira (ou ‘Que burro, dá zero para ele’)

21 02 2011

Na virada do ano de 2010 para 2011 o valor da passagem de ônibus metropolitano da cidade de Natal aumento 10%. Pulou de R$ 2,00 para R$ 2,20. Várias pessoas, obviamente, foram contra. Muitas por acharem o aumento realmente errado, outras tantas por não gostarem da atual prefeita de Natal e o resto (provavelmente a maioria) por nem entender os motivos nem as conseqüências disso. Algumas pessoas apenas gostam de um tumulto.

‘As pessoas foram às ruas fazer panelaço?’, você deve perguntar. ‘Foram protestar em frente à prefeitura, pressionando os dirigentes municipais a voltar atrás na decisão?’, um outro questionará.

Para ambos a resposta é ‘Não‘.

Talvez incentivados pela primeira ‘revolução digital’ no Egito (NOT), surgiram várias hashtags no Twitter lideradas pelo #foraMicarla. Dias depois surgiu o #flashmobdoaumento. O ‘flashmob do aumento’ foi um encontro de algumas pessoas no principal shopping da cidade e todos ostentavam narizes de palhaço na cara e deram uma volta por lá.

Bom, não tenho qualquer mestrado no assunto, mas isso para mim não é um flashmob. Isso é um flashmob.

E outra, pode até ser que essa ‘palhaçada’ (por causa dos narizes de palhaço, claro… ;D) seja um flash mob. Mas qual o efeito dessa calhordice na decisão de aumentar (ou não aumentar) o preço da passagem?

E, também válido salientar, esse ‘movimento’ foi ‘organizado’ por universitários e pessoas que se dizem da ‘elite intelectual’ natalense.

 

A inflação vem aumentando e as previsões do ógãos competentes corroboram com um aumento ainda maior até o fim do ano. Todos os derivados do petróleo vêm aumentando e só a gasolina aumentou R$ 0,10/litro aqui em Natal nessa semana.

O salário mínimo aumentou e ainda havia paspalhos de sindicatos protestando por salários maiores.

 

Matéria-prima aumenta, amigos. E, pior ainda, quando o salário mínimo aumenta a quantidade de dinheiro circulando aumenta, aumentando assim, a inflação. E, além disso, aumentam, logicamente os custos para os empresários.

Não vi ninguém protestando contra esse aumento do salário mínimo. Ele traz consequências, como falei.

 

Não vi ninguém protestando na porta da Câmara após o aumento do salário dos deputados (e mais uma hashtag no Twitter NÃO vale), pelo menos na efusivamente. Não vi ninguém protestando na porta da governadoria do Rio de Janeiro enquanto o orçamento para a reforma do Maracanã (que foi reformando há 3 anos) vai alcançando R$ 1 bi de DINHEIRO PÚBLICO (nada de ruim aconteceu naquele estado nesse ano, certo?). E, para trazer para uma realidade local, não vi ninguém na porta da governadoria do Rio Grande do Norte protestando contra o altíssimo ICMS praticado pelo estado e que encarece absurdamente todos os produtos que entram aqui (além de, claro, outros tributos).

 

Será que algum dia teremos uma população que sabe o que fala e uma (que se diz) elite intelectual parando de fazer aseneiras por aí?


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